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PRIMAVERA Sentido da primavera Ao acordar, naquele dia preliminar da Primavera, senti imediatamente que alguma coisa tinha acontecido de muito fundamental na ordem do mundo. Eu, homem de despertar difícil, pulei da cama tão bem-disposto e leve que, por um momento, assustei-me com a sensação indizível que sentia. Ao pegar o copo habitual para a minha água matutina, notei que se achava cheio de uma substância volátil, penetrada de uma linda cor violeta. E não sei por que bebi do copo vazio, estranguladamente, o ar da Primavera, de gosto azul e fragrância fria, com um peso específico de sonho.Durante alguns minutos nada me aconteceu. Tomei meu café, fumei um cigarro e dei uma olhada nas coisas. Mas de repente senti que em mim a matéria começava a se transformar. Palpitações violentas confrangeram-me o coração e eu mal conseguia respirar. Vi minha filhinha Susana distorcer-se à minha frente como ante um espelho côncavo e logo em seguida penetrou-me um cheiro tão monumental que pensei se me tivesse enlouquecido a imaginação. Era um cheiro de menininha, um cheiro que eu conhecia bem, próprio de minha filha, mistura de talco, suorzinho, lavanda, xixi, sabonete, leite e sono; mas desta vez com uma tal arnplitude que eu podia perfeitamente distinguir cada um dos subcheiros da sua composição. No talco, por exemplo, senti um cheiro de polvilho que não o abona, talco tão caro! e senti também que no leite havia um cheiro de água, o que só vem corroborar a certeza geral de que o leite, nesta cidade do Rio de Janeiro, anda sendo fartamente batizado.Depois senti milhões de cheiros. Não os descreverei todos para não ferir, com o desagrado de alguns, os ouvidos – diria melhor: os narizes – do leitor mais delicado. Como todo o mundo sabe, a praia do Leblon não cheira a rosas – e caiba-me aqui mais uma vez chamar a atenção das autoridades competentes para o crime que é despejarem os esgotos naquelas águas onde se banha o que de mais inocente há no bairro: a criançada rica, remediada e pobre das ruas pavimentadas e da praia do Pinto. Enfim, estou a fugir do meu assunto, mas valha-me a referência para registrar um cheiro enorme que senti na ocasião: um cheiro de miséria, que só poderia porvir da dita praia do Pinto, lugar, como todo mundo sabe, onde se comprime, em barracões infectos, a mais negra, sórdida e desamparada indigência da zona.Mas até já ia me esquecendo: senti um cheiro de nazismo, súbito. Ora – direis – como é esse tal cheiro de nazismo? Reconheço a dificuldade de descrevê-lo em toda a sua complexidade, mas penso que era um cheiro branco, inodoro, perfeitamente ortodoxo no entanto, com laivos de salsicha, chope e cachorro policial, um cheiro de radiotelegrafia e talvez de cemitério. Não podia, porém, precisar de onde ele vinha, querendo me parecer, sem haver nisso qualquer insinuação, que chegava da rua Visconde de Pirajá, possivelmente, de algum café ou bar, desses onde se reúnem os nazistas conhecidos e desconhecidos que continuam a se aporrinhar mutuamente em grupos, pelos bebedouros de importação germânica que ainda existem nesta cidade hospitaleira.Tudo isso constituía um fenômeno muito curioso. Os cheiros mais estranhos, os mais perversos, os mais doces, os do amor, os da solidão, perseguiam-me como outros tantos espíritos da Primavera. Um cheiro dolorosíssimo de morte chegou-me ao mesmo tempo que um odor de nascimento. Soube que alguém morria e nascia naquele instante particular do mundo e senti o cheiro da minha vaidade de me saber dono de um tão grande privilégio. Curioso também: só não consegui sentir bem, em meio àquela sinfonia de cheiros, o aroma das coisas obviamente cheirosas como as flores e as mulheres em geral. O perfume do mar, por exemplo, eu o sentia em toda a sua frescura, verde, salso, infinito, e também o cheiro da areia que por sua vez cheirava a nuvem. Cheiro horrível era o de uma mosca que naquela ocasião voejava à minha volta: bicho imundo! Tive que fugir para a varanda, onde senti o vigoroso cheiro da madeira dos troncos, um rubicundo cheiro de sol e... ah, esses gatos miseráveis! Um dia ainda passo fogo num! (não, não o desmoralizarei) devia estar por perto: e efetivamente, pouco depois chegava ele com um queijo de Minas debaixo do braço, cujo cheiro me deu vertigens. Mas eu acho o cheiro de queijo tão bom (contra, bem sei, a opinião de quase todo mundo, que, estou certo, irá rir de mim) que seria capaz de usá-lo no lenço, quando, naturalmente, não houvesse ninguém por perto. Aliás, poderia usar no lenço também cheiro de graxa ou gasolina, cheiro de torrefação de café ou mesmo cheiro de padaria de madrugada, quando o pão é feito.Tantos cheiros, tantos... O cheiro do teu riso, minha adorada, de tua boca quente e sem malícia. O cheiro de tua pureza, coisa inefável, parecendo sândalo ou alfazema. O cheiro da tua devoção de cada instante, cheirando a alecrim ou mato verde, o cheiro da tua emoção constante, como o da terra viva molhada de chuva...
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 16h10 [ envie esta mensagem ] Eça de Queirós O Primo Basílio Vida e obra de Eça de Queirós
Nascido em 1845, em Póvoa de Varzim, e morto em 1900, em Paris, José Maria Eça de Queirós formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e participou ativamente do processo de criação do Rea- lismo português. Além de suas obras programáticas sobre o novo estilo, como " Prosas Bárbaras", fez parte do grupo " O Cenáculo- 1869" e foi um dos membros responsáveis pelas " Conferências do Cassino Lis- bonense - 1871. Em Leiria, onde trabalhou como administrador do Concelho, preparando-se para a carreira diplomática, escreveu " O Crime do Padre Amaro", obra que inaugura oficialmente o Rea lismo-Naturalista em Portugal. Em 1873, tornou-se cônsul em Hava- na. No ano seguinte até 1878 viveu em Bristol - Inglaterra e posterior- mente mudou-se para Paris, conforme sempre sonhara. Lá se casou, dedicou-se com grande intensidade à literatura e permaneceu até a morte. Considerado um dos maiores prosadores em língua portuguesa, Eça de Queirós é o craidor de uma vasta produção, que pode ser divi- dida em três fases. Á primeira- em que realiza uma literatura impregna- da de romantismo social, fortemente influenciada por Victor Hugo - Pertencem " O Mistério da Estrada de Sintra", As Farpas" e "Prosas Bárbaras". A partir de " O Crime do Padre Amaro", inicia-se a segunda fase, caracterizada pela adesão ao Naturalismo, que conta com " O Primo Basílio" e "Os Maias", os três " romances de tese" do escritor. A terceira fase da obra de Eça de Queirós abrange romances como " A Ilustre Casa de Ramires", A Correspondência de Fradique Mendes" e " A Cidade e as Serras". Nelas, a crítica cáustica do Realismo naturalista deixa espaço para a meditação filosófica e esperançosa em valores humanos e es- pirituais. " O Primo Basílio" é um dos famosos " romances de tese" de Eça de Queirós. Por meio deles, o escritor se propôs a realizar um " inquérito da vida portuguesa", combatendo três de suas princi- pais instituições- a Igreja, a Burguesia e a Monarquia-, de acordo com os moldes positivistas de abordagem dos problemas sociais. Mesmo nessa fase de adesão ao Naturalismo, e portanto de menor espaço de livre vôo da criação, o trabalho de Eça revela suas qualida- des de escritor de grande densidade artística, seja na precisão de alguns dos retratos da sociedade portuguesa que lhe é contempo- rânea, seja na originalidade, na fluência, na naturalidade e no vigor narrativo de suas obras. Texto extraído da Biblioteca FOLHA- Elaborada por Emilia Amaral. COMENTÁRIOS: O Primo Basílio caracteriza-se por um encadeamento de ações que se interrompem para que haja alguns " flash-backs", algumas voltas em relação ao momento narrado, através das quais se conhece a história de personagens,como por exemplo no capitulo 3- em que o narrador relata a trajetória de vida de Juliana- e no capitulo 4 quando conhecemos melhor Sebastião, a sua amizade de infância por Jorge. VISITEM OS BLOGS: WWW.MEUSGATOSMINHAVIDA.NAFOTO.NET
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 21h02 [ envie esta mensagem ]
METAMORFOSE Este poema foi tirado do blog do meu querido Bené- www.oapanhadordesonhos.blogspot.com VISITEM OS BLOGS:
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 15h12 [ envie esta mensagem ] O HOMEM E OS MOMENTOS DE SUA CRIAÇÃO.
A genial vocação literária de Machado de Assis manifestou-se cedo. Com 15 anos escreveu seu primeiro soneto de amor. www.letras-uruguay.espaciolatino.com Do lado paterno, Joaquim Maria Machado de Assis era bisneto de escravos libertos. Os pais, trabalhadores braçais, moravam como agregados numa chácara matriarcal no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, onde o escritor nasceu em 1839, no fim do período regencial. Nesta data, nasceu também Casimiro de Abreu, autor de As Primaveras ( 1859). José de lencar tinha 10 anos de idade. Três anos antes Gonçalves de Magalhães publicou Suspiros Poéticos e Saudades, obra que continha idéias para uma Literatura romântica no Brasil. Em 1840, seria decretada a maioridade de D. Pedro II. Ainda muito jovem, Machado de Assis evita o subúrbio e procura a subsistência no centro da cidade. Não se sabe ao certo em que trabalhou, mas sua vocação literária manifestou-se cedo, pois estreou aos 15 anos, em 1854, com um soneto a uma mulher chamada Petronilha, no Periódico dos Pobres. VISITEM OS BLOGS:
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 21h56 [ envie esta mensagem ] BOM DIA! CAROS AMIGOS QUE GOSTAM DA LITERATURA, HOJE VOU FAZER UMA HOMENAGEM A UM AMIGO O ZINEY DO BLOG: www.dezminutos.zip.net
www.zonalibre.org/blog/amigaluna DEUS, O PINTOR Tem dois momentos no dia Que vemos Deus a pintar. No amanhecer de alegria É no entardecer do orar.... 23/12/98- Ziney Santos Moreira. LINDA SURPRESA Que bom poder estar contigo Sentindo seu abraço aconchegante, Seus beijos deliciosos, Seu olhar penetrante... Viajar em suas palavras, Me encontrar em seu aroma, Sentir seu ser pleno, Forte, inteligente e tão mulher... Em cada encontro nosso Uma linda surpresa Você me reserva... Aliás, você é uma linda surpresa Que Deus me deu de presente Só para eu a amar para sempre... 12/05/00 - ZIney Santos Moreira. VISITEM OS BLOGS: WWW.MESTRADOSSONHOS.ZIP.NET WWW.DEPENDENCIAQUIMICA.ZIP.NET
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 09h50 [ envie esta mensagem ]
LINALDO GUEDES "Linaldo Guedes é um surrealista. Os ambientes criados pelo poeta, da mesma forma que os seus personagens, embora tenham, respectivamente, cômodos e membros concretos, situam-se, geográfica e espacialmente, em seu subconsciente. Daí os zumbis como filhos do blues que rasga a noite dourada". Willian Costa. EQUÍVOCO.
e um papel em branco resumem o segredo de minha vida: uma palmeira imperial que cresceu no século errado. Linaldo Guedes- Extraído do livro Os zumbis também escutam blues e outros poemas.
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- Postado por: Mestra dos Sonhos às 10h52 [ envie esta mensagem ] TROVADORISMO
CANTIGA Dizia la fremosinha: "ai,Deus, val! Com'estou d'amor ferida! ai,Deus,val!" Dizia la bem talhada: "ai,Deus, val! Com'estou d'amor coitada! ai, Deus,val! Com' estou d'amor ferida! ai,Deus, val! Nom vem o que bem queria! ai, Deus, val! Com'estou d'amor coitada! ai, Deus, val! Nom vem o que muit' amava! ai, Deus, val! D.Afonso Sanches In Elsa Gonçalves. A lírica galego-portuguesa. Lisboa, Editoral Comunicação, 1983 D.Afonso Sanches: Trovador do final do século XIII e início do XIV, filho bastardo do rei D.Dinis com sua amante favorita, D.Aldonça Rodrigues da Telha. Deixou-nos 15 cantigas, nas quais, segundo J.J. Nunes, se revelou verdadeiro poeta. Comentário: Nessa época, século XIV, a língua portuguesa ainda não existia. Falava-se em Portugal o galego-português, que, no século XV, dará origem a duas línguas distintas: o galego e o português. VISITEM OS BLOGS: WWW.MESTRADOSSONHOS.ZIP.NET
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 20h29 [ envie esta mensagem ] VIDA E OBRA GIL VICENTE UM CRÍTICO ATENTO E MORDAZ
www.prof2000.pt/users/hjco/aleixvic/004.jpg Corre o ano de graça de 1502 em Lisboa. É noite de 7 de junho. Todo o palácio real respira leve apreensão. D.Maria de Castela, excelsa esposa do rei D.Manuel I, descansa dos trabalhos de parto do dia anterior, quando deu à luz um menino. (...) Quem pode se aglomera à entrada do régio aposento e saúda com olhares sorridentes o mais novo príncipe de Portugal. Súbito, um burburinho quebra a atmosfera desse ambiente. É mestre Gil, ourives da Corte, que vem em vestimentas de vaqueiro e acompanhado de um zagal. Impaciente, ele pede licença aos que ali estão para se aproximar da rainha.(...) A rainha soergue-se do leito. Alguém a informa de que é mestre Gil e que deseja] homenagear o recém-nascido. Com o consentimento prévio, o vaqueiro e seu mudo companheiro dirigem-se, sob olhares pasmados, ao centro da alcova real. Lá, em vez de uma gentil cortesia, ou mesmo de um simples boa-noite, uma avalancha de protestos. Para chegar até ali, o rústico diz ter sido agredido pela guarda, ter dado um soco em um dos "figurões" e que, se soubesse dessas todas dificuldades, não teria vindo. E se viesse não teria entrado. E se entrasse... É uma representação.(...) O discurso do vaqueiro aos poucos desdobra-se em tom de louvor ao " excelente príncipe". E ao fim, com uma irônica referência à truculência da guarda real, a grande supresa: o rude camponês faz que entrem outros " porcariços" e " vaqueiros" que trazem consigo mimos ao príncipe recém-chegado. A aprovação é geral. A tal ponto que D.Leonor (viúva de D.JoãoII), a mais entusiasmada, pede ao mestre que repita a apresentação quando dos próximos festejos natalícios. A passagem anterior mostra, resumidamente, a barulhenta estréia do dramaturgo Gil Vicente. Essa entrada em cena para representar o Monólogo do Vaqueiro ou Auto da Visitação, sua primeira peça, é exemplo de sua personalidade artística bombástica e corrosiva, que prefere o protesto à cordialidade. Mesmo assim, Gil Vicente foi um sucesso em sua época. PARA LEMBRAR O dramaturgo soube aliar em suas obras o divertimento e o espírito reformador apoiado no respeito às instituições, além de um alto padrão estético. 1. O PREFERIDO DOS REIS: Não se sabe exatamente quando ou onde Gil Vicente nasceu. Os poucos indícios históricos registram seu nascimento entre 1465 e 1470, possivelmente em Guimarães. Uma cidade rica em artistas e artesões, onde provavelmente aprendeu o ofício de ourives, que praticou nas Cortes de D. Manuel I ( 1469 a 1521) e de D. João III (1502 a 1557). Gil Vicente viveu a maior parte de sua vida em Lisboa, centro comercial e cultural de Portugal. De origem popular, não se sabe onde adquiriu a vasta e diferenciada cultura com que marcou sua obra. Todas ou quase todas as afirmações biográficas a respeito do dramaturgo são suposições. Graças a isso, costuma-se dividir essa figura histórica em dois:
das festas palacianas. Há dúvidas inclusive se ambos seriam os mesmos, pois torna difícil juntar as duas personalidades. No entanto, é o Gil Vicente poeta e dramaturgo que aqui interessa. Aquele que desenvolveu em Portugal um teatro até hoje incomparável em sua grandeza. 2. UMA PRODUÇÃO INTENSA E ORIGINAL:A obra de Gil Vicente não seguiu nenhum padrão determinado. Não há sinal de que conhecesse o drama grego e não há registro histórico de teatro pré-vicentino em Portugal. Além de uma rudimentar ação dramática que floreceu na Europa, durante a Idade Média, o espanhol Juan del Encina(1468 a 1529) foi quem primeiro compôs peças de caráter pastoril e religioso na Penísula Ibérica. Gil Vicente é, portanto, o criador do teatro em Portugal.
Texto e assinatura de Gil Vicente PARA LEMBRAR: Sua produção inicia-se em 1502, com o Monólogo do Vaqueiro, ou Auto da Visitação, e termina em 1536, com Floresta de Enganos, num total de 34 anos de intensa produ- tividade e 46 peças, sendo uma em castelhano, 16 bilíngües e as restantes em Lingua Portuguesa. Esse conjunto foi reunido e editado por seu filho, Luís Vicente, em 1562, no volume entitulado Compilaçam de Todalas Obras de Gil Vicente. Um trabalho que infelizmente não teve o rigor necessário, pois apresentou alterações nos textos e omissão de peças. Ignora-se também a data da morte de Gil Vicente, sabendo-se apenas que aconteceu entre 1536, ano em que foi apresentada sua última peça e abril de 1540, data de um documento no qual aparece a seguinte frase: " Gil Vicente, que Deus perdoe". Texto extraído do livro Gil Vicente - Auto da Barca do Inferno, nº 14 VISITEM OS BLOGS:
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 14h13 [ envie esta mensagem ] 1.c. Os cenários do escritor. Seguindo indicações do próprio Alencar no prefácio de Sonhos d'Ouro, a crítica divide o conhunto dos romances do escritor a partir das linhas gerais de cenário no qual transcorre a ação da história: romance indianista, romance urbano, romance regionalista e romance histórico.
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centro do chamado romance urbano. Nesse cenário, o autor executa um retrato bastante real dos costumes morais e políticos do Rio de Janeiro, embora o enredo seja sempre idealista, concebido segundo a imaginação e o sentimentalismo romântico. São exemplos: Cinco Minutos, Lucíola, Senhora, Encarnação.
Os personagens( os indìgenas )são sempre transfigurados pela imaginação. A paisagem recebe forte impregnação poética. A mata virgem do Brasil é apresentada como um recanto de maravilha e salvação. O enredo gira sempre em torno do amor e não dispensa a aventura. Alencar é o único representante ilustre desse tipo de romance mítico e poético no Brasil. Exemplos: O Guarani, Iracema, Ubirajara.
tipo de narrativa põem-se em relevo os costumes, as crenças, o vestuário, a linguagem e a geografia das diversas regiões do país. Surge no fim do Romantismo ( década de 1870) como oposição ao excesso de imaginação empregada na elaboração dos romances indianistas e históricos do próprio Alencar. Foi criado por Bernardo Guimarães, mas cultivado também por José de Alencar. Seu defensor mais convicto foi Franklin Távora. O romance regionalista é considerado uma espécie de transição ao Realismo. São eles, O Guarani, Til, O tronco do ipê, O sertanejo.
romance histórico. Nessa modalidade de narrativa, opera-se a imaginosa reconstituição da atividade dos bandeirantes e aventureiros de nosso passado colonial. As datas e os fatos são pretextos para um enredo excessivamente movimentado. A paisagem é pictórica e grandiosa. Persiste a intriga amorosa na qual o herói se opõe ao vilão. A heroína, ainda conforme os padrões românticos, é superidealizada. O bem triunfa sobre o mal. São exemplos: As minas de Prata e a A Guerra dos Mascates. 1.d. Os três Alencares O professor Antônio Candido afirma que há três Alencares o das mocinhas, o dos rapazes e o dos adultos. Essa divisão leva em conta a maneira como é organizada a trama dos romances e os efeitos programados pelo autor. Assim, tendo em vista a natureza da peripécia, os três Alencares teriam correspondência na:
do persongem: O Guarani, Ubirajara, As Minas de Prata, O Serta nejo, O Gaúcho.
do dever e da honra: Cinco Minutos, A Viuvinha, A Pata da Gazela, Diva, O Tronco de Ipê, Sonhos d'Ouro. Ação reduzida, que é centrada na revelação da alma de personagens problemáticos: Lucíola, Senhora. Textos extraído do livro José de Alencar, nº 04 - Senhora. VISITEM OS BLOGS:
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 16h42 [ envie esta mensagem ] CONTINUAÇÃO DA VIDA E OBRA DE JOSÉ DE ALENCAR
www.globolivros.globo.com/imagens2/memoriamilicia.jpg 1.a. A serviço da inteligência nacional. Quando, em 1856, José de Alencar publicou seu primeiro romance, Cinco Minutos, o pú blico brasileiro estava completamente habituado à leitura de romances. Mas praticamente não havia quem os escrevesse no Brasil. Eram quase todos importados e traduzidos da França. Os poucos escritores que se dedicaram a produzir narrativas brasileiras foram Teixeira e Sousa, Joaquim Manuel de Macedo e Manuel Antônio de Almeida, este se limitando a um único e excelente exemplar, Memó rias de um Sargento de Milícias. Ao entrar para o cenário da produção cultural brasileira, Alencar percebeu logo que faria um grande serviço à inteligência nacional se conseguisse produzir histórias que refletissem o máximo de nossa realidade psíquica e social: o que obviamente não acontecia com os romances importados. Procurou escrever romances que captassem a sensibilidade artística brasileira e que fossem, ao mesmo tempo, moldando a nossa percepção do real, ensinando-nos a apreciar as conformações gerais de nossa natureza, história, socie dade, cultura e mitos. Tais preocupações coincidiam com o movimento literário do Romantismo, então em curso no Brasil. Desse conjunto de fatores, surge, em 1857, o segundo romance de Alencar, O Guarani, que logo se tornou a nossa primeira grande narrativa de aventura romântica. Quando Alencar morreu, em 1877, o conjunto de sua obra já deixara, com certeza, um perfil de produção e consumo romanesco mais condizente com o espírito e a cultura do povo brasileiro. Estava aberto o caminho para as grandes obras de Machado de Assis, Raul Pompéia e Aluísio Azevedo. 1.b. A divisão da obra de Alencar. A efabulação ou o enredo nos romances de Alencar é muito eficiente. Suas narrativas, além da preocupação de formar uma sensibilidade brasileira, procuram distrair pela novidade da ação. Por isso, suas histórias são repletas de peripécias, heróis, heroínas e vilões. O amor, sempre espiritualizado, motiva toda a trama. As diferenças sociais separam os amantes, mas a pureza de sentimentos acaba provocando a união final. Para gerar suspense, Alencar subordina o presente dos personagens a acontecimentos ocultos no passado, como acontece com Aurélia Camargo, em Senhora. À medida que o passado vai se desvendando, as surpresas vão substituindo o mistério. DANDO CONTINUIDADE NA PROXIMA PUBLICAÇÃO. - Postado por: Mestra dos Sonhos às 16h08 [ envie esta mensagem ] CONTINUAÇÃO SOBRE JOSÉ DE ALENCAR VIDA E OBRAS
1-Uma produção fértil: José de Alencar é considerado o fundador do romance nacional, sendo o nosso primeiro grande romancista. Escreveu 21 romances, dos quais alguns são obras-primas da Literatura nacional. Destacam-se: Cinco Minutos(1856); O Guarani (1857); Lucíola (1862); As Minas de Prata (1862 a 1866); Diva(1864); Iracema (1865); O Gaúcho (1870); A pata da gazela(1870); O Tronco do Ipê(1871); Til (1872); Sonhos d'Ouro(1872); A Guerra dos Mascates (1873 a 1874); Ubirajara (1874); Senhora(1875);O Sertanejo(1875);Encarnação(1877). Suas obras, fincadas na realidade brasileira, são capazes de fornecer um vasto retrato dos costumes do século XIX. Esse retrato ora é mais verdadeiro ( como nos romances urbanos e regionalistas), ora é mais imaginoso(ronances indianistas e históricos). Quando é mais imaginoso, tende para o símbolo, como ocorre em Iracema e O Guarani. Quando é mais verdadeiro, assume configurações de crítica social e análise psicológica, como se observa em Lucíola e Senhora. Nestas duas últimas obras mostrou habilidades em construir complicados caracteres femininos, antecipando as conquistas analíticas de Machado de Assis. Com Iracema e O Gurarani, inventou o símbolo do bom selvagem brasileiro, de grande importância em nossa cultura. Texto extraído do livro José de Alencar- Senhora nº04 VISITEM OS BLOGS:
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 17h19 [ envie esta mensagem ] VIDA E OBRA Um Senhor Escritor Romântico
José de Alencar estréia como escritor no Correio Mercantil, em 1854 JOSÉ DE ALENCAR José Martiniano de Alencar nasceu em Mecejana (CE),em 1829, no final do Primeiro Reinado. Seu pai, que fora padre na juventude, influenciou o jogo político que levou à maioridade de D.Pedro II, tendo sido senador no Período Regencial. José de Alencar saiu do Ceará para a Corte aos 10 anos, em 1839, justamente no ano do nascimento de Machado de Assis, de quem se tornaria amigo mais tarde. Concluídos os estudos secundários na Corte, mudou-se para São Paulo, aos 16 anos, em 1845, para cursar a Faculdade de Direito, exceto o terceiro ano, que faria em Olinda. Sua permanência em São Paulo coincide com a moda da poesia byroniana, liderada por Álvares de Azevedo, três anos mais jovem do que ele. De volta ao Rio, José de Alencar estréia como escritor no Correio Mercantil, em 1854, logo depois de Manuel Antônio ter publicado, nesse mesmo jornal, Memórias de um Sargento de Milícias. As crônicas publicadas nessa ocasião seriam mais tarde agrupadas em volume com o nome de Ao correr da Pena. Em 1856, Alencar provocou a famosa polêmica sobre a Confe deração dos Tamoios, poema épico que Gonçalves de Magalhães escreveu e queria impor ao Brasil como uma grande epopéia. Alencar discordou com alarde dessa opinião e, no ano seguinte, publicou, como resposta, O Guarani.Este, sim, seria a verdadeira epopéia romântica do Segundo Reinado. Muito famoso com o sucesso do romance, José de Alencar passou a dedicar-se mais intensamente a esse gênero literário. Da mesma forma, dedicou-se ao teatro, à advocacia e à Política, sendo eleito deputado diversas vezes pelo Ceará. Durante a Guerra do Paraguai, foi ministro da Justiça, apesar de suas constantes rixas com D.Pedro II- tanto por razões estéticas quanto políticas. Não conseguindo se eleger senador, como fora o pai a quem tanto admirava, José de Alencar retirou-se da vida Pública. Nessa ocasião foi muito apoiado pela amizade de Machado de Assis, que despontava como seu sucessor nas letras brasileiras. Alencar morreu aos 48 anos, vitimado de tuberculose, no ano que escrevera ENCARNAÇÃO-um romance de feições espiritistas. VISITEM OS BLOGS: Os conteudos da vida e obra de José de Alencar, vai se contando aos poucos.
- Postado por: Mestra dos Sonhos às 17h11 [ envie esta mensagem ] VERSOS
TEMPOS VÊM,TEMPOS VÃO Os tempos vêm. Tempos vão Com todos os seus contrastes. Velhas folhas cairão... Nascerão outras nas hastes. Airosa e sedutora, Risonha na sua dança, Se hoje é encantadora, Amanhã nem semelhança. Que faço eu nesta vida? Pergunto de quando em quando. Se tiver missão cumprida Não estacionei, eu ando. Quem os instintos domina Mat'rialidade calma. Aureola sua alma O espírito não declina. Copo abaixo, copo acima, Ciclo do alcatruz da nora. Vida do Homem se aproxima. Quando há má hora ou boa hora. Nesta vida a correr De desértica miragem, Não há tempo de o ser Pensar que não tem paragem. O velho já alquebrado É jovem envelhecido. Recordações dum passado Já de há muito fugido. ANTÔNIO MADEIRA PINA Poeta Português.
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- Postado por: Mestra dos Sonhos às 19h13 [ envie esta mensagem ] DANDO CONTINUIDADE A OBRA: ANOTE Álvaro de Campos e Ricardo Reis, assim como o próprio Pessoa, consideravam-se discípulos de Alberto Caeiro, mas cada um seguiu os ensimamentos do mestre à forma e chegaram até a travar uma polêmica muito interessante sobre o fazer poético. A última frase de Fernando Pessoa foi escrita em inglês no dia de sua morte: " Iknow not what tomorrow will bring" ou " Eu não sei o que o amanhã trará". O amanhã trouxe para Fernando Pessoa uma admiração crescente. Suas obras foram aos poucos sendo publicadas e hoje ele é considerado, ao lado de Camões um dos maiores poetas portugueses de todos os tempos. Nenhum poeta, em Língua Portuguesa, obteve tanto prestígio em todo o mundo. Graças so poder da palavra. Graças à magia da poesia. Textos extraído do livro Fernando Pessoa- Poemas Escolhidos
Assinaturas de Fernando Pessoa e seus heterônimos.
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- Postado por: Mestra dos Sonhos às 11h50 [ envie esta mensagem ] VIDA E OBRA O ENIGMA EM PESSOA
Pessoa no traço de Almada, 1935 Ao escrever sobre Fernando Pessoa, o poeta mexicano Octavio Paz afirma que "os poetas não têm biografia. Sua obra é sua biografia". Diz ainda que, no caso de Pessoa, " nada em sua vida é surpreendente-nada, exceto seus poemas". Homem de vida pública modesta, Fernando Pessoa dedicou-se a inventar. Através da poesia, criou outras vidas, despertando, assim, o interesse por sua própria vida tão pacata. Tornou-se, portanto, o "enigma em pessoa". 1-Influência Inglesa. Nascido em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888, Fernando Pessoa perdeu o pai aos 5 anos de idade. Em 1896, a família é levada pelo segundo marido de sua mãe para a cidade de Durban, na África do Sul, onde ele cursa o secundário, lê obras de grandes autores de Língua Inglesa, como Milton, Byron, Shelley e Poe, e desenvolve o gosto pela Literatura. Em 1903, ingressa na Uni- versidade do Cabo. Deixando a família em Durban, o jovem Pessoa retorna a Portugal e matricula-se no Curso Superior de Letras, que logo abandona. Entra em contato com os grandes escritores da Língua Portuguesa. Impressiona-se com os sermões do Padre Antônio Vieira(1608 a 1687) e particularmente com a obra de Cesário Verde (1855 a 1886). Em 1908, começa a trabalhar como tradutor de cartas comer- ciais para empresas estrangeiras. Deste emprego modesto tirará o sustento durante toda a vida. Boêmio, encontra-se com os amigos em cafés, especialmente o Brasileira, do Chiado, para discutir Literatura. Em 1912 conhece o poeta Mário de Sá-Carneiro(1890 a 1916), de quem se tornaria grande amigo. Sá-Carneiro suicida-se em Paris, no dia 26 de abril de 1916, após escrever cartas angustiadas a Fernando Pessoa. ANOTE A revista Orpheu, fundada em 1915 por Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e outros amigos, como Almada Negreiros e Luís de Montalvor, representa o marco inicial do Modernismo em Portugal.
Pessoa menino www.instituto-camoes.pt/escritores/pessoafotof01.jpg 2-Vida Literária. Após a notoriedade, nem sempre positiva, adiquirida com a publicação de ORPHEU, Pessoa mergulha em anos relativa obscuridade. Publica dois pequenos volumes de poemas em inglês, reunindo ANTINUOUS e 35 SONNETS(1918), além de ensaios e poemas esporádicos em algumas revistas; funda outras, envolve-se com o ocultismo e a magia negra, dedica- se à astrologia. Em 1934, tomando dinheiro empresta- do, publica o livro MENSAGEM, e com ele participa do prêmio " Antero de Quental". Recebe o prêmio de Categoria B. No dia 30 de novembro de 1935, morre de cirrose hepática. PARA LEMBRAR Fernando Pessoa nunca teve, em vida, o reconhecimento que merecia. Viveu modestamente, em relativa obscuridade. Em vida, teve apenas dois livros publicados: os poemas em inglês e Mensagem. 3- FACETAS DE UM GRANDE POETA. Desde cedo, Fernando Pessoa inventara seus companheiros. Ainda em Durban, imagina os heterônimos Charles Robert Anon e H.M.F.Lecher. Cria também o especialista em palavras cruzadas Alexander Search e outras figuras menores. Mas seria no dia 08 de março de 1914 que os heterônimos começariam a aparecer com toda a força. Neste dia, Pessoa escreve os 49 poemas de O GUARDADOR DE REBANHOS, de Alberto Caeiro. Como resposta, escreve também os seis poemas de CHUVA OBLÍQUA, que assina com seu próprio nome. Logo inventa- ria Álvaro de Campos e, em junho do mesmo ano, Ricardo Reis. Um semi-heterônimo de Pessoa, Bernardo Soares, teve sua obra, O LIVRO DO DESASSOSSEGO, composta por fragmentos de prosa poética, publicada apenas em 1982. - Postado por: Mestra dos Sonhos às 10h48 [ envie esta mensagem ]
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